sábado, 14 de abril de 2012

Psicoterapia de Longa Duração é Eficaz no Tratamento do Transtorno Mental Complexo

Autora: Marlene Busko

De acordo com uma metanálise de 23 estudos, psicoterapia psicodinâmica com duração de mais de 1 ano é mais eficaz do que psicoterapia de curta duração para pacientes com transtornos mentais complexos.

O estudo revelou que pacientes com transtorno mental complexo que foram submetidos à psicoterapia psicodinâmica durante pelo menos 1 ano, ou que receberam mais de 50 sessões, tiveram resultados gerais melhores do que 96% dos pacientes que receberam psicoterapia durante curto período de tempo.

“Nós não esperávamos diferença tão grande no tamanho do efeito” para resultados de tratamentos múltiplos, declarou o pesquisador do estudo Falk Leichsenring, DSc, da University of Giessen, Alemanha, à Medscape Psychiatry.

O estudo foi publicado na edição de 1° de outubro da Journal of the American Medical Association.

Falta de evidência

Existem evidências sugerindo que, embora a psicoterapia de curta duração seja eficaz para a maioria dos indivíduos que tiveram sofrimento agudo, os tratamentos de curta duração são insuficientes para muitos pacientes com transtornos mentais múltiplos ou crônicos ou com transtorno de personalidade, relata o autor.

De acordo com os pesquisadores, a função da psicoterapia psicodinâmica de longa duração (PPLD) é controversa devido à falta de evidência científica convincente. Além disso, a psicoterapia de longa duração está associada a custos diretos maiores, sendo, portanto, importante saber se seus benefícios superam aqueles do tratamento de curta duração.

Para determinar a efetividade da psicoterapia psicodinâmica individual de longa duração em pacientes com transtornos mentais complexos, os pesquisadores uniram e analisaram os resultados de estudos randomizados prospectivos e de estudos observacionais.


Eles identificaram 11 estudos controlados randomizados e 12 estudos observacionais que englobavam 1.053 pacientes, os quais receberam psicoterapia de longa duração para condições que incluíam transtornos alimentares, transtorno de personalidade limítrofe e transtornos depressivos e de ansiedade.

Oito dos 11 estudos controlados randomizados incluíram dados de 257 pacientes submetidos a formas mais curtas de psicoterapia incluindo terapia ativa, psicoterapia psicodinâmica de duração mais curta e tratamento como de costume, no qual os psiquiatras tinham liberdade de usar qualquer tratamento que eles normalmente usassem.

Os pesquisadores observaram que psicoterapia psicodinâmica individual de longa duração em pacientes com transtorno mental complexo culminou em melhor resultado — incluindo melhora dos sintomas psiquiátricos e da personalidade e funcionamento social — do que psicoterapia de duração mais curta.

“Nesta metanálise, a psicoterapia psicodinâmica de longa duração foi significativamente superior a métodos de duração menor de psicoterapia com relação ao resultado geral, problemas-alvo e funcionamento da personalidade. A psicoterapia psicodinâmica de longa duração gerou efeitos grandes e estáveis no tratamento de pacientes com transtorno de personalidade, transtornos mentais múltiplos e transtorno mental crônico”, concluem os autores.


Uso de psicoterapia em declínio
Em um editorial anexo, Dr. Richard M. Glass, médico, da University of Chicago, Illinois, escreve que a metanálise “fornece evidência sobre a eficácia da psicoterapia dinâmica de longa duração para pacientes com transtornos mentais complexos que freqüentemente não respondem adequadamente às intervenções de curta duração”.

Dr. Glass diz ainda que é “irônico e perturbador” que esta evidência que apóia psicoterapia de longa duração esteja acontecendo em uma época na qual a realização de psicoterapia pelos psiquiatras nos Estados Unidos está declinando significativamente — uma tendência que ele acredita justificar uma avaliação cuidadosa.

Ele sugere que esta tendência parece estar “fortemente relacionada a incentivos financeiros e outras medidas para minimizar os custos”.

JAMA. 2008;300:1551-1565, 1587-1589.

Informação sobre a autora: Marlene Busko é jornalista da equipe do Medscape Psiquiatria. Declaração de conflito de interesses: A autora declara não possuir conflito de interesses.

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2 comentários:

mEu munDinHo LoUcO disse...

Parabéns pelo bloguinho!
Estou seguindo, viu
Beijos, Elaine

Karen Ka disse...

Oi Elaine!
Muito obrigada por fazer parte do blog.
Beijinhos,

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