quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Que São Comorbidades?

O termo comorbidade é formado pelo prefixo latino “cum”, que significa contigüidade, correlação, companhia, e pela palavra morbidade, originada de “morbus”, que designa estado patológico ou doença. Assim, deve ser utilizado apenas para descrever a coexistência de transtornos ou doenças, e não de sintomas. É considerada tanto a presença de uma ou mais distúrbios em adição à um distúrbio primário, quanto o efeito desses distúrbios adicionais.
A ocorrência de uma patologia qualquer em um indivíduo já portador de outra doença, com a possibilidade de potencialização recíproca entre estas é conhecida como comorbidade. No estudo da dependência química, a manifestação de transtornos mentais e de comportamentos decorrentes do uso de substâncias e de outros transtornos psiquiátricos vem sendo bastante estudada já desde os anos 80.
O abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais freqüente entre os portadores de transtornos mentais, sendo fundamental o correto diagnóstico das patologias envolvidas. Os transtornos mais comuns incluem os transtornos de humor, como a depressão, transtorno bipolar, de ansiedade, de déficit de atenção e hiperatividade. Transtornos de personalidade e alimentares também apresentam estreita correlação com o abuso de drogas.
As comorbidades foram caracterizadas em 3 classes:
Comorbidade Patogênica  quando um determinado distúrbio leva ao aparecimento de outro, e ambos podem ser etiologicamente relacionados;
Comorbidade Diagnóstica  dois ou mais transtornos cujos critérios diagnósticos se baseiam em sintomas não específicos;
Comorbidade Prognóstica  quando a combinação de 2 transtornos facilita o aparecimento de um terceiro, como por exemplo, a maior chance de que um paciente com diagnóstico de depressão e ansiedade venha a apresentar o abuso ou dependência de álcool e drogas.
A co-ocorrência de transtornos mentais e transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas vem sendo reconhecida na psiquiatria. Há evidencias de que mesmo o uso infrequente e de pequenas doses de drogas, legais ou ilegais, podem levar o individuo com transtornos mentais graves a conseqüências mais sérias do que as vistas na população geral e estão associados a mais efeitos negativos ligados aos transtornos mentais.
A incidência de comorbidade de abuso ou dependência de substancias e transtornos mentais graves parece estar aumentando. Tal fenômeno tem sido atribuído ao aumento e disponibilidade de álcool e drogas na população geral.
Estudos demonstram que pacientes com comorbidade, principalmente aqueles com transtornos psiquiátricos graves, apresentam maiores taxas de agressividade, detenção por atos ilegais, suicídio, recaídas, gastos com tratamento, falta de moradia, re-internações, têm maiores períodos de hospitalização e utilizam mais os serviços médicos.
Tratamento:
A melhora do quadro psiquiátrico em conjunto com o abuso de substâncias está associada a uma evolução favorável dessa ultima, reduzindo o risco de recaída e aumentando a qualidade de vida do paciente. O manejo da crise aguda deve ser feito tanto por uma equipe multidisciplinar, quanto por terapia individual. O tratamento integrado deve considerar os seguintes itens:
• O uso de farmacoterapia para o tratamento do transtorno psiquiátrico, desintoxicação e fase inicial de recuperação0 de prevenção de recaída;
• Usar técnicas psicossociais para aumentar a motivação, auxiliar na resolução de problemas e no manejo de situações difíceis;
• Apoio psiquiátrico para o controle de sintomas psicóticos, mania e depressivos com ou sem risco de suicídio.

Referências: 
en.wikipedia.org/wiki/Comorbidity
www.scielo.br/scielo
www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32

terça-feira, 1 de maio de 2012

Bon Jovi - Borderline


Você liga toda hora  
Mas não tem nada a dizer
Então converse agora comigo
Antes que seja tarde demais
Oh, dizem que é impossível
Mas eu vi sua fotografia respirar
Aquele médico que cobra 50 paus
Disse que seu amor é uma doença
Tá tudo certo, estou bem
Ainda que não sabia como
E ainda que não saiba o motivo
Mas a conversa virou aviso
E agora estamos na beira do adeus
Seria isto o fim do começo?
Ou o começo de um fim?
Você é amiga do inimigo?
Ou inimiga do amigo?
Eu caminho pela linha divisória
Entre o dia e a noite
O certo e o errado
Linha divisória
As vozes gritam
De dentro de mim
Na linha divisória
Eu caminho pela linha divisória
Ouço conversas pelas ruas
Ouço boatos sobre você
As pessoas que encontro
Me contam que as mentiras são todas verdades
E eu acordo suando
Vejo você dormindo
Seria meu sonho a realidade?
Ou a realidade um sonho?
Eu cruzei a linha divisória
Entre o dia e a noite
O certo e o errado
Linha divisória
As vozes gritam
De dentro de mim
Na linha divisória
Eu caminho pela linha divisória
Eu caminho pela linha divisória
Entre o dia e a noite
O certo e o errado
Linha divisória
As vozes gritam
De dentro de mim
Na linha divisória
Eu caminho pela linha divisória
Yeah, yeah, yeah

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Terapia Comportamental Dialética




A Terapia Comportamental Dialética é uma forma recente de psicoterapia desenvolvida especificamente para o tratamento de Transtornos de Personalidade Limítrofe.

O nome vem da proposta do Método dialético, que confronta duas ou mais teses (e/ou antíteses) competidoras e busca chegar a uma síntese. Em linhas gerais, a TCD segue essa proposta e busca conciliar e/ou resolver conflitos de forma racional através de sua exposição direta, sem com isso deixar de priorizar a serenidade e qualidade de vida do paciente.

Proposta por Marsha M. Linehan, a TCD tem um componente de psicoterapia individual e outro de terapia em grupo. Seu fundamento teórico vem basicamente do Behaviorismo com elementos do Cognitivismo.

A terapia individual da TCD tende a ser bastante direta e confractória, e busca abordar em uma sessão semanal os conteúdos que venham a se apresentar. A prioridade é dada à atenção a comportamentos suicidas e autodestrutivos, e depois a comportamentos que interfiram com a própria terapia. A seguir vêm assuntos ligados à qualidade de vida e à sua melhora.

Durante a terapia individual frequentemente se discute como melhorar as perícias ou habilidades que compõem o modelo da TCD, ou como superar os obstáculos ao seu desenvolvimento.

A terapia de grupo consiste geralmente em uma sessão semanal de duas horas a duas horas e meia, orientada ao desenvolvimento de perícias ou habilidades específicas, organizadas em quatro módulos:
1. Perícias básicas de Atenção plena
2. Perícias de Regulagem de Emoções
3. Perícias de Tolerância à Pressão
4. Perícias de Efetividade de Relações Interpessoais

Os Quatro Módulos:

1. Atenção Plena
Considerada a base de sustentação das demais perícias, a atenção plena (ou mente alerta) tem inspiração no budismo (especificamente no Zen), e consiste em uma postura de atenção ampla e tolerante dirigida a todos os fenômenos que se manifestam na mente consciente - ou seja todo tipo de pensamento, fantasias, recordações, sensações e emoções percebidas no campo de atenção são percebidas e aceitas como elas são.

2. Regulagem de Emoções
Pacientes de Transtornos de Personalidade Limítrofe e suicidas tendem a vivenciar emoções intensas e um tanto oscilantes. Por esse motivo têm muito a se beneficiar do aprender a regular suas emoções e expressá-las nos momentos mais convenientes. Entre as perícias dialéticas voltadas à regulagem de emoções estão inclusas:
identificar e classificar as emoções
identificar os obstáculos à mudança das emoções
reduzir a vulnerabilidade à mente emotiva (emoções descontroladas)
aumentar e melhorar os eventos emocionais positivos
tomar consciência das emoções presentes em cada momento
adotar ações contrárias à tendência emocional indesejada
aplicar as Técnicas de Tolerância à Pressão (descritas no próximo item)

3. Tolerância à pressão
Muitas abordagens de saúde mental deixam de abordar a tolerância a pressões externas. Em vez disso, tradicionalmente deixa-se o desenvolvimento dessa capacidade por conta de movimentos religiosos e/ou espirituais. A TCD, porém, lida explicitamente com este componente da saúde mental.

A tolerância à pressão desenvolve-se a partir das perícias de atenção plena e envolve a capacidade de aceitar como são no presente momento tanto a situação externa que se está vivendo quanto a situação interna do próprio paciente, de percebê-la com clareza e tranquilidade sem cair em reações angustiadas ou violentas. Note-se que aceitar a realidade da situação não implica aprová-la ou querer mantê-la como está. A meta não é conformidade, mas serenidade diante do que efetivamente existe.

Os comportamentos de tolerância à pressão envolvem a tolerância e resistência a crises e a aceitação da vida como ela é no momento presente. São ensinadas quatro categorias de estratégias de sobrevivência a crises:
  • Distração
  • Auto-cuidado
  • Melhorar o momento
  • Considerar prós e contras


As habilidades de aceitação incluem
  • Aceitação Radical
  • Condução da mente até a aceitação
  • Contraste da vontade receptiva com o desejo impulsivo


4. Efetividade Interpessoal
As perícias de Efetividade Interpessoal da TCD envolvem o desenvolvimento da Assertividade e de soluções para problemas interpessoais. Incluem a habilidade de se pedir o que se necessita, de dizer "não", e de se lidar com conflitos interpessoais.

Muitas vezes os pacientes tratados pela TCD tem boa compreensão teórica das perícias interpessoais, mas precisam de treinamento para se acostumar a aplicá-la em sua vida cotidiana.

Neste módulo focalizam-se situações em que se procura causar mudanças (geralmente pedindo que outra pessoa faça algo) e/ou resistir a mudanças propostas pelo meio ("dizendo não"). O objetivo geral é melhorar as chances de que as metas pessoais do paciente sejam atingidas, sem com isso comprometer sua auto-estima ou a qualidade de seus relacionamentos com outras pessoas.

FONTE: Wikipédia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Personalidade Borderline e as Origens na Infância

Os estudos feitos em pacientes com transtorno de personalidade borderline, quanto às ocorrências na infância enfocaram basicamente a privação da criança, da presença dos pais (principalmente a mãe), assim como problemas familiares intensos.

Esses estudos foram inconclusivos. Nos últimos anos passou-se a investigar a relação entre abuso sexual na infância e a personalidade borderline.
Nesse caso os estudos encontraram taxas que variavam de 10 a 73% dos pacientes borderline com passada de abuso sexual por parte dos pais ou de quem tomava conta deles; sendo que desses 0 a 33% tiveram relações incestuosas. Ainda nesse assunto, 16 a 71% dos borderline sofreram abuso sexual por pessoas não ligadas ao relacionamento direto. Ficou assim demonstrada uma relação entre abuso sexual na infância e personalidade borderline no adulto. Faltam mais estudos para averiguar se esta questão se relaciona à personalidade borderline exclusivamente ou se também afeta outros distúrbios de personalidade. Talvez tenha faltado uma investigação um pouco mais ampla: afinal quem abusa sexualmente de uma criança tem a personalidade equilibrada ? Será que essas crianças desenvolveram uma personalidade desviada por herança genética ou influência familiar/ambiental ? O abuso sexual compromete a personalidade como um todo ?

A finalidade deste estudo é verificar a influência de outros fatores patológicos na infância dos pacientes com personalidade borderline, além do abuso sexual.

Métodos – No período de março de 1991 a dezembro de 1995 foram selecionados 467 pacientes num hospital americano. Os critérios usados foram os seguintes: idade entre 18 e 50 anos, inteligência normal, sem transtorno psiquiátrico maior como

esquizofrenia ou T. bipolar. Para o diagnóstico de personalidade borderline mais acuradamente foram usados questionários semi-estruturados, sendo que os entrevistadores desconheciam o resultado da seleção.

Outros clínicos que também desconheciam o diagnóstico e entrevistaram os pacientes quanto a acontecimentos patológicos na infância, como abandono, maus tratos, humilhações e outras experiências da criança.


Resultados – Dos 467 pacientes selecionados, 358 preencheram critérios de transtorno de personalidade borderline para mais de um questionário realizado, e em 109 foi diagnosticado mais de um tipo de transtorno de personalidade.
Outras formas de abuso da criança foram encontradas com maior freqüência do que o abuso sexual isoladamente. 91 e 92% dos pacientes sofreram alguma forma de abuso e abandono respectivamente, e 60% sofreram abuso sexual na infância. 75% dos pacientes passaram por experiências como humilhação, frustração, mensagens ambíguas, serem postos em situações de solução impossível; consideradas como abuso emocional.
Outras situações apontadas pelos pacientes foi a responsabilização enquanto crianças de outros membros da família, sentimento de desamparo quanto àqueles que deviam cuidar deles e inconsistência no relacionamento.


Conclusão - O abuso sexual não é uma condição necessária nem suficiente para o desenvolvimento de uma personalidade borderline. Este estudo não foi capaz de definir novas causas para este transtorno psiquiátrico, mas complementou seu conhecimento. Provavelmente a personalidade borderline é multicausal, e vários outros tipos de estudo ainda devem ser feitos.


Afinal, Louca Sou Eu ou Você?




Quando relato meu diagnóstico de Transtorno de Personalidade, as pessoas interiormente devem imaginar que fiquei louca, pois de maneira instintiva expressam um olhar assustado, mas logo após explicar sobre a doença sua afeição muda para um semblante triste, repleto de pena... 
Confesso que não existe nada mais frustante do que alguém sentir pena de você. Tudo isso por puro preconceito, já que é uma doença mental, ou seja, no ramo da Psiquiatria, portanto, quem frequenta psiquiatra é LOUCO. Todavia, fico me questionando se louca sou eu por ter esta doença ou você por ser preconceituoso num mundo com tecnologias surgindo a todo instante para múltiplas funcionalidades, com os valores morais desrespeitados, falta de respeito ao meio ambiente, onde países desenvolvidos gastam milhões em armamentos, sendo que poderiam contribuir para combater a fome mundial, etc.  Tendo em vista toda evolução científica e social, a revolução cultural não obteve tamanho sucesso. As pessoas continuam dotadas de seus dogmas e preconceitos, advindos de seus antepassados. Infelizmente alguns seres humanos não evoluíram, pelo contrário, insistem em permanecer no passado. Associar o tratamento psiquiátrico a loucura é pura ignorância, falta de conhecimento e preconceito, já que a medicina também evoluiu e os tratamentos ultrapassados que associavam psiquiatra a loucura,  como internação em manicômio, camisa de força, choque elétrico e etc, ficaram para traz. Hoje o tratamento dependendo dos casos é realizado no consultório do médico ou caso o paciente necessite de internação, esta será feita numa clínica. Entretanto, o uso de eletrochoque, foi aperfeiçoado. O procedimento é feito no hospital com o paciente sedado. Nos Estados Unidos este é o primeiro recurso utilizado pelo médico para tratar os casos graves de depressão, sendo que poderá ser processado se não utilizá-lo, pois a resposta da melhora do paciente é rápida e eficiente na maioria dos casos. Contudo, os antidepressivos, são a segunda opção para eles, quando o paciente não melhora com o tratamento de eletrochoque. 
Portanto, louco é você que em meio a tantas evoluções e revoluções não foi capaz de ampliar seus conhecimentos neste assunto a fim de formar seu próprio juízo de valor, herdando uma opinião  totalmente equivocada para sua época.  

Kalili

Pedofilia: Crime ou Doença?

Pedofilia é um tema muito freqüente em psiquiatria forense. E polêmico.
Muito da polêmica, no entato, surge do desentendimento semântico entre advogados e médicos quando utilizam a palavra "pedofilia". O psiquiatra diz pensando numa coisa, o advogado ouve pensando noutra e a confusão se instala na sociedade que, leiga, acompanha o debate sem entender nada. Todo mundo sabe que pedofilia é crime, certo? Mas como pode ser crime, se também é doença? E como pode ser doença, se é crime?
Nessa interface entre o Direito e a Psiquiatria o psiquiatra forense deve atuar como tradutor/intérprete, fazendo a ponte entre as duas áreas para esclarecimento da sociedade.


Pedofilia, para a Classificação Internacional de Doenças, é um transtorno mental, que atinge a preferência sexual das pessoas afetadas, dando-lhes a sensação de que só podem obter satisfação sexual mediante pensamentos, fantasias, imagens ou presença de crianças. Essa sensação está fora do controle dos pedófilos, que não conseguem evitá-la. A grande maioria percebe a inadequação de tais pensamentos, e se ressente disso, chegado a ficar deprimidos, abusar de álcool ou outras drogas.

Já para o Direito brasileiro, pedofilia é definida no Estatuto da Criança e do Adolescente como apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito, envolvendo criança ou adolescente. Assim, trata-se de um ato criminoso punível com prisão e multa.

Saber se o indivíduo acusado de se envolver em atividades que envolvam crianças e sexo é doente a ponto de não ter entendimento ou autocontrole é a única função do psiquiatra forense nesse contexto. Por vezes os psiquiatras são instantos - inadvertidamente - a descobrir se houve ou não o ato. Isso não só transcende suas funções como, mesmo para quem tem o dever legal de decidir - é apenas uma dúvida.

Doente ou monstro?
Conhecidos como “sem-vergonha e descarados”, entre outros adjetivos, os pedófilos, de acordo com psiquiatras e psicólogos, são pessoas doentes que precisam ser tratadas e presas. Porém, o entrave está na falta de estrutura do sistema penitenciário. “O desejo deles por crianças é algo incontrolável - é um doente sem cura. Eles precisam ser tratados com medicamentos e acompanhamentos de psicólogos e psiquiatras.

A pedofilia é um crime e os pedófilos devem ser presos, mas, infelizmente, eles saem dos cárceres ainda piores por falta de assistência adequada e das mutilações que acabam sofrendo”, disse a psiquiatra Maria da Conceição Nogueira.

Os pedófilos são, geralmente, pessoas acima de qualquer suspeita, não há distinção de classe social e nem racial, é uma patologia presente na sociedade. Quem vai desconfiar de alguém que tem a função de proteger, como os pais, tios, padrastos? E até aqueles que servem a Deus são capazes de cometer tamanha atrocidade.

A pedofilia é a perversão sexual na qual o indivíduo sente-se atraído, de forma incontrolável, por crianças e adolescentes. 

A psiquiatra explicou que os pedófilos sofrem de um distúrbio mental na esfera sexual, onde são acometidos por um desejo sem controle por crianças.

“A pedofilia é desenvolvida ao longo dos anos, não há estudos que comprovem que seja uma patologia genética ou que o indivíduo já nasceu com essa predisposição. Muitas vezes a doença é desencadeada por medo da rejeição, por traumas na infância. Geralmente, são pessoas inseguras e preocupadas, incapazes de serem julgadas, por isso preferem as crianças, para estar sempre no comando”, disse.

A psiquiatra enfatizou ainda que não há dados que comprovem que todos os pedófilos sofreram abuso na infância, que não há um perfil-padrão e que tem pacientes que foram violentados quando crianças, mas que se tornaram pais mais protetores e cuidadosos com seus filhos. 

Ainda segundo a psiquiatra, o pedófilo raramente reconhece que fez sexo com a criança e quando assume tenta de todas as formas colocar a culpa na vítima.

“Nunca atendi um pedófilo em meu consultório. Eles não têm consciência que estão doentes e quando percebem alguma anomalia em seu comportamento, não procuram por ajuda. Mas, nos casos em que atendi na custódia, eles tinham duas versões – negavam, diziam que a vítima inventou, que era calúnia ou que foram seduzidos por elas.

Na cabeça deles, uma criança de 2 anos pode estar afim de sexo, pode ter se apaixonado e o seduziu. Essa é uma doença gravíssima que acomete várias classes sociais e que precisa ser contida”, afirmou.

Para o psicólogo Adenauer Novaes, os casos de pedofilia precisam ser estudados, mas, em sua maioria, os agressores sofreram algum tipo de abuso ou outra agressão na infância. Outra causa seria pela sexualidade imatura.

“Não há como identificar um pedófilo sem que ele se manifeste, eles não apresentam nenhuma anormalidade, muitos são pessoas de confiança. Não são todos os casos, porém, um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da patologia está no quadro familiar. Essas pessoas, quando cometem o ato, devem ficar segregadas da sociedade para controlar a doença”, enfatizou o psicológo.

Os especialistas criticaram o sistema penitenciário brasileiro, que permite que os presos fiquem juntos e por isso os pedófilos acabam sofrendo agressões de outros detentos como penalidade pelos seus crimes “Para os pedófilos, o abuso sexual sofrido na cadeia não tem efeito nenhum, nem de arrependimento, nem de punição. Independente do que sofram, eles serão reincidentes. Eles precisariam de um local diferenciado com tratamento”, disseram os médicos.

O sentimento de culpa das vítimas
O que mais impressiona a população é que, na maioria dos casos, o abuso sexual infanto-juvenil acontece dentro do ambiente onde deveria prevalecer o amor e a proteção: dentro de casa.

Estima-se que, no Brasil, 165 crianças ou adolescentes sejam molestados por dia e a maioria esmagadora dos casos acontece dentro dos lares das vítimas.

A delegada Laura Argolo, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra Crianças e Adolescentes – DERCA, a violência contra criança e adolescente é um problema mundial. Por semana, o órgão registra cerca de 40 denúncias. Apenas em fevereiro, que ainda nem terminou, foram realizadas cinco autuações em flagrante, uma delas na Quarta-feira de Cinzas, no Porto da Barra. A vítima foi um menino de 6 anos.

“A pedofilia sempre existiu, o número de denúncias é que está aumentando, isso não quer dizer que os casos estão evoluindo, mas sim que as pessoas estão perdendo o medo e denunciando, a sociedade está mais participativa”, disse a delegada.

Uma das preocupações dos órgãos públicos, segundo a delegada, é com a preservação da vítima, pois muitas vezes elas, no decorrer do processo, acabam tendo receio de falar sobre o assunto, porque já estão desgastas e já falaram do acontecido várias vezes.

“Fazemos de tudo para preservar a vítima. Quando elas chegam aqui na delegacia disponibilizamos um tratamento mais específico, para evitar a exposição. Queremos implantar o Depoimento “Sem Dano”, procedimento em que a vítima só fala do assunto uma vez - o depoimento é colhido em uma sala especialmente montada, com equipamentos de áudio e vídeo, no qual as inquirições são realizadas com acompanhamento de psicólogos ou assistentes sociais. O juiz, promotor e defensor seguem o interrogatório pelo sistema, enviando perguntas, dessa forma, a vítima não se exporia a outras pessoas”, explicou a delegada.

As vítimas, na maioria das vezes, se calam por medo ou por se sentirem culpadas. Conforme o psicólogo Novaes, assim como os agressores, as pessoas que sofrem abuso sexual não procuram ajuda ou demoram a falar sobre o assunto, e às vezes nunca chegam a fazer.

Os motivos são vários: temem que seus familiares não acreditem na história, sentem vergonha do que aconteceu, têm medo do abusador e se sentem culpadas pela violência que sofreram.

A hora de procurar ajuda médica
Para ser considerado um pedófilo, que é um distúrbio psicossexual, do ponto de vista médico, basta que o indivíduo sinta desejo sexual por crianças e nutra fantasias constantes com elas. É nesse momento, antes da consumação, que a pessoa deve procurar ajuda médica.

Procurar por tratamento no primeiro sinal de anormalidade seria o comportamento adequado, porém, segundo o psiquiatra, essa é uma decisão muito difícil, porque eles tentam fugir de qualquer assunto sobre isso. “Nesses 20 anos de medicina, só atendi dois homens que, por livre e espontânea decisão, vieram procurar ajuda. Eles não procuram tratamentos, fogem de qualquer possibilidade”.

O psicólogo Adenauer Novaes explicou ainda que o tratamento é de longo prazo e o indivíduo deve ficar em análise ao longo da vida. Como se trata de um desejo exacerbado, sem controle e doentio, os pacientes são tratados com medicações para reduzir o desejo sexual, que representa uma das alternativas de tratamento. A castração química, uma alternativa para conter a pedofilia, já é utilizada fora do Brasil, em países como os Estados Unidos.

Todos os casos de pedofilia são chocantes, mas alguns chamam mais atenção da sociedade, principalmente quando os agressores são pessoas próximas. 

Em 2009, em Pernambuco, uma menina de 9 anos interrompeu a gestação de gêmeos após ser estuprada pelo padrasto.
O crime causou muita polêmica e fomentou a discussão sobre a prática do aborto no Brasil. Já em Guaratinga, na Bahia, uma menina de 13 anos que engravidou após ser estuprada pelo próprio pai manteve a gravidez. A vítima relatou na época que sofria abusos sexuais desde a morte de sua mãe, que havia completado um ano e meio.

Em 2009, após uma denúncia anônima, o estudante de Medicina Diogo Nogueira Moreira de Lima, 22 anos, foi preso em flagrante na pousada de propriedade de sua família, em Arembepe, litoral norte da Bahia. No momento da prisão, ele estava acompanhado por três crianças entre 3 e 8 ano. A polícia encontrou em seu poder camisinhas, produtos eróticos, vídeos e fotos que mostram o acusado abusando de crianças.

O estudante é acusado de ter comedido mais de 20 abusos em dois anos.

FONTES: 
http://www.portonewsnet.com.br/index.php?mw=noticias&w=1750
http://stoa.usp.br/danielmbarros/weblog/43205.html

quinta-feira, 26 de abril de 2012

No Labirinto do Meu Eu



Pegue minhas mãos e sinta como estão frias, 
Vivo numa tempestadade onde o vento gelado percorre minha alma,
Olhe dentro dos meus olhos, assim verá a escuridão transparecer sobre minha face.
Não, não tente me compreender!
Apenas me abrace bem forte para ter certeza que não estou sozinha.
Não, não tente me ajudar!
Apenas me beije com todo amor que você pode expressar.
Estou perdida neste labirinto,
Caminho por diversos lugares, 
Tropeço nos meus erros, me machuco,
Sinto andar em círculos,
Não consigo me encontrar.
Vamos, venha me procurar!
Não desista, preciso de você para viver,
Ajude-me atravessar esta fronteira,
Não largue minhas mãos,
Estou entre você e o abismo.
Decida o que fazer...
Devo morrer ou viver?

Kalili
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