terça-feira, 17 de abril de 2012

Eletroconvulsoterapia para Tratamento da Depressão Grave

 No imaginário popular, eletrochoque é aquela antiga tortura usada contra pacientes psiquiátricos.

Na psiquiatria, "eletrochoque" é o sinônimo politicamente incorreto de eletroconvulsoterapia, "o antidepressivo mais poderoso que existe", segundo Harold Sackheim, professor da Universidade Columbia (EUA).

Sackheim, que é americano e participou do Congresso Brasileiro de Psiquiatria encerrado sábado em Fortaleza, disse que 70% dos pacientes com quadros de depressão grave se recuperaram com eletrochoques. Já a taxa de sucesso com antidepressivos, nesses casos, não ultrapassou 30%.

"Metade dos pacientes que eu tratei já tentou se matar e eles acabaram se recuperando", disse à Folha o professor de psiquiatria.

Segundo o brasileiro Moacyr Rosa, também pesquisador da Columbia, o preconceito contra o método vem de seu mau uso no passado, quando era aplicado sem anestesia e para qualquer coisa. "A eletroconvulsoterapia acompanhou a evolução da medicina e hoje suas aplicações são muito mais seguras."



O que é Eletroconvulsoterapia?

A ECT - eletroconvulsoterapia é um tratamento extremamente eficaz e seguro para doenças psiquiátricas, principalmente a depressão. O objetivo é promover uma estimulação elétrica no cérebro com a finalidade de induzir uma crise convulsiva que dura ao redor de 30 segundos, mas já suficiente para aliviar os sintomas das doenças. O tratamento é feito em sessões, o número de aplicações é definido pelo psiquiatra. Tudo é feito em um ambiente hospitalar, com o paciente anestesiado para que não sinta desconforto ou dor e a liberação é feita no mesmo dia.

Apesar do alto índice de eficácia e da segurança do tratamento, a técnica ainda é incompreendida e confundida com tratamento doloroso, antiquado ou mesmo tortura. Antigamente a ECT era conhecida como “eletrochoque”. Nos anos 50, com a descoberta de remédios com efeitos antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores do humor, a ECT começou a ser vista negativamente. No entanto, nenhuma droga, até o momento, se iguala, em eficácia, à ECT. Quando os profissionais começaram a observar as limitações do efeito das medicações o interesse pela ECT voltou a crescer. Em 1959, foi relatado o uso de anestesia durante o procedimento. A partir dos anos 70 a técnica foi extremamente aprimorada, com o desenvolvimento de aparelhos mais sofisticados, que permitem um controle preciso da carga fornecida, uso de anestesia, oxigenação, relaxamento muscular e monitoração detalhada das funções vitais. 


Atualmente, estima-se que 50 mil pessoas recebam ECT por ano nos Estados Unidos, no Brasil ainda não há dados precisos, mas a técnica é amplamente utilizada nos melhores e mais conceituados hospitais de todo o país. Infelizmente o preconceito e a falta de informação ainda existem, mas a cada dia mais profissionais e pacientes reconhecem que a ECT é uma intervenção eficaz, segura e, muitas vezes, capaz de salvar a vida em certos transtornos nos quais outras intervenções tiveram pouco ou nenhum efeito.

Editoria de Arte/Folhapress


 Como surgiu


O tratamento surgiu na década de 30, quando os neuropsiquiatras italianos, Ugo Cerletti e Lucio Bini, iniciaram pesquisas induzindo convulsões com eletricidade. Em 1938, Cerletti realizou a primeira terapia convulsiva induzida eletricamente com finalidade terapêutica. Descobriu-se, então, que o tratamento reduz o risco de suicídio, quase a ponto de desaparecimento, rapidamente. Em poucos anos, a ECT tornou-se um dos principais métodos de tratamento da esquizofrenia e transtornos do humor.


Indicações

Os quadros depressivos são os que melhor respondem a este tratamento. Todos os subtipos podem se beneficiar do tratamento: refratária, unipolar, bipolar, catatônica, associada a transtorno de personalidade ou a uma outra doença orgânica.


A ECT tem indicação como primeiro tratamento nos quadros nos quais:

1. Há um risco de suicídio iminente;

2. Uma desnutrição que põe em risco a vida do paciente;

3. A presença de sintomas catatônicos;

4. Presença de sintomas psicóticos graves;

5. Em situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido aos seus efeitos colaterais (por exemplo: pacientes idosos, durante a gestação e amamentação).

Outros quadros também podem ter indicação: mania e seus subtipos, esquizofrenia e outras psicoses funcionais resistentes ao uso de antipsicóticos, epilepsia refratária e transtornos mentais em epilépticos, síndrome neuroléptica maligna e doença de Parkinson (há melhora dos sintomas extrapiramidais e depressivos).


Amnésia

Apesar de exaltarem a eficácia do método, os especialistas reconhecem que a terapia por convulsão elétrica causa efeitos colaterais que variam da náusea até a perda de parte da memória.

Segundo Del Porto, é comum o procedimento causar perda transitória da capacidade de memorização. "Depois de duas ou três semanas, tudo volta ao normal. Já os casos de perda das recordações costumam ser raros".

Segundo Rosa, esses desconfortos são o foco atual das pesquisas. "A ideia hoje é diminuir a incidência desses efeitos colaterais."


FONTE:  Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação www.ipan.med.br






segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ômega 3 e seus benefícios no Tratamento da Depressão

 Gorduras certas, e na medida certa são fundamentais à prevenção de doenças, o desequilíbrio entre ácidos graxos essenciais (essenciais porque são indispensáveis às funções do organismo, não sendo sintetizado, devendo provir da dieta), ômega 3 e ômega, com baixo consumo de ômega 3 e o aumento do consumo de gorduras saturadas e trans está esclarecendo desequilíbrios nas funções cerebrais, desde um simples esquecimento, falhas de memória à depressão e doenças neurodegenerativas.

Publicado na Nature Neuroscience, um estudo mostrou que a redução dos níveis de ômega 3 na dieta tiveram efeitos negativos sobre as funções sinápticas e comportamentos emocionais. Os pesquisadores estudaram ratos alimentados com uma dieta pobre em ácidos graxos ômega 3 e descobriram que a deficiência crônica durante o desenvolvimento intra-uterino, pode mais tarde influenciar a atividade sináptica envolvida no comportamento emocional (como sintomas de ansiedade e depressão) na vida adulta.

Já, pesquisadores da Universidade de Navarra e Las Palmas, após estudar 12.059 voluntários durante 6 anos mostraram uma significativa relação entre gorduras trans e depressão. Embora no início do estudo, nenhum dos voluntários sofriam de depressão, no final do estudo haviam cerca de 657 casos. Qual a relação? De todos esses casos, os participantes com um elevado consumo de gorduras trans apresentaram um aumento de até 48% no risco de depressão quando comparados aos participantes que não consumiram essas gorduras.

No entanto, as gorduras poliinsaturadas, de peixes, óleos vegetais e monoinsaturadas, presentes no azeite estiveram associadas com um risco menor de depressão.

As recomendações para o consumo de gorduras é que não ultrapasse 30% do valor calórico total diário, detalhadamente, o consumo de gordura saturada deve ficar inferior a 7%, a poliinsaturada até 10%, e gordura monoinsaturada, encontrada especialmente no azeite de oliva até 20% e menor do que 1% de gordura trans do valor calórico total.

O azeite de oliva, mostrou-se protetor da função cerebral, é uma excelente e indispensável fonte de gordura, consumido de forma regular pode melhorar o perfil lipídico e inibir a oxidação de LDL. estimula a produção de óxido nítrico, que é um importante agente regulador da pressão arterial, fatores que protegem contra as doenças cardiovasculares.

A dieta de países industrializados tem aumentado de forma quantitativa as calorias ingeridas por meio de gorduras, cerca de 35 a 40%, com altos níveis de ácido linoléico (ômega 6) e baixos de ácido alfa linoléico (ômega 3). Segundo as referências, a quantidade de ômega 6 consumida durante os últimos quarenta anos disparou para 250%, enquanto que de ômega 3 caiu em 40%.

Enquanto recomenda-se a manutenção da proporção 5:1 entre ômega 6 e 3 na dieta, proporção essa que pode influenciar na formação de neurotransmissores e prostaglandinas, fatores vitais para manter a função cerebral em equilíbrio, o consumo atual pode estar em 15 de ômega 6 para 1 de ômega 3. Nos EUA, essa proporção pode chegar até 40 de ômega 6 para 1 de ômega 3.

Gorduras trans e saturadas ainda provocam alterações na composição lipídica, circulação sanguínea e trabalho cardíaco, seja pelo aumento de LDL colesterol e do colesterol total.

Almudena Sánchez-Villegas, Lisa Verberne, Jokin De Irala, Miguel Ruíz-Canela, Estefanía Toledo, Lluis Serra-Majem, Miguel Angel Martínez-González. Dietary Fat Intake and the Risk of Depression: The SUN Project. PLoS ONE, 2011.

Lafourcade, Mathieu et al. Nutritional omega-3 deficiency abolishes endocannabinoid-mediated neuronal functions. Nature Neuroscience, 2011.

Massiera et al. A Western-like fat diet is sufficient to induce a gradual enhancement in fat mass over generations. The Journal of Lipid Research, 2010.

domingo, 15 de abril de 2012

Ser Borderline é possuir algum talento...


Algumas pessoas acreditam que "nós" borderlines, possuímos um dom, oriundo da nossa sensibilidade exacerbada; extra- sensorial. Acredito que elas tenham razão, pois ser emocionalmente sensível e viver num mundo repleto de violências, tristezas, tragédias, egocentrismo, consumismo, desrespeito, fome e medo tem que ser muito artista! No entanto, demonstramos nossos sentimentos e extravazamos nossas emoções por meio da arte. Procuramos canalizar nossa energia através da escrita, música, dança, pintura por aquilo que estamos sentindo como se fosse uma descarga elétrica, a fim de nos libertar, despejando feito um raio de emoções e idéias, aquilo que de fato nos perturba, magoa, fere e corroe a alma.
É devido a nossa dor e ao nosso sentimento de vazio mais profundo que nos tornamos artistas.
Somos compreendidos quando artistas, porém não como sendo borderlines...

Kalili

O que é ser borderline?




LEIA
CLARISSE LINSPECTOR E DESCUBRA...




 




  



OUÇA
KURT COBAIN



E





AMY WINEHOUSE
E SINTA...




                                               




ASSISTA
MARILYN MONROE
E VEJA...
                                                   

sábado, 14 de abril de 2012

Psicoterapia de Longa Duração é Eficaz no Tratamento do Transtorno Mental Complexo

Autora: Marlene Busko

De acordo com uma metanálise de 23 estudos, psicoterapia psicodinâmica com duração de mais de 1 ano é mais eficaz do que psicoterapia de curta duração para pacientes com transtornos mentais complexos.

O estudo revelou que pacientes com transtorno mental complexo que foram submetidos à psicoterapia psicodinâmica durante pelo menos 1 ano, ou que receberam mais de 50 sessões, tiveram resultados gerais melhores do que 96% dos pacientes que receberam psicoterapia durante curto período de tempo.

“Nós não esperávamos diferença tão grande no tamanho do efeito” para resultados de tratamentos múltiplos, declarou o pesquisador do estudo Falk Leichsenring, DSc, da University of Giessen, Alemanha, à Medscape Psychiatry.

O estudo foi publicado na edição de 1° de outubro da Journal of the American Medical Association.

Falta de evidência

Existem evidências sugerindo que, embora a psicoterapia de curta duração seja eficaz para a maioria dos indivíduos que tiveram sofrimento agudo, os tratamentos de curta duração são insuficientes para muitos pacientes com transtornos mentais múltiplos ou crônicos ou com transtorno de personalidade, relata o autor.

De acordo com os pesquisadores, a função da psicoterapia psicodinâmica de longa duração (PPLD) é controversa devido à falta de evidência científica convincente. Além disso, a psicoterapia de longa duração está associada a custos diretos maiores, sendo, portanto, importante saber se seus benefícios superam aqueles do tratamento de curta duração.

Para determinar a efetividade da psicoterapia psicodinâmica individual de longa duração em pacientes com transtornos mentais complexos, os pesquisadores uniram e analisaram os resultados de estudos randomizados prospectivos e de estudos observacionais.


Eles identificaram 11 estudos controlados randomizados e 12 estudos observacionais que englobavam 1.053 pacientes, os quais receberam psicoterapia de longa duração para condições que incluíam transtornos alimentares, transtorno de personalidade limítrofe e transtornos depressivos e de ansiedade.

Oito dos 11 estudos controlados randomizados incluíram dados de 257 pacientes submetidos a formas mais curtas de psicoterapia incluindo terapia ativa, psicoterapia psicodinâmica de duração mais curta e tratamento como de costume, no qual os psiquiatras tinham liberdade de usar qualquer tratamento que eles normalmente usassem.

Os pesquisadores observaram que psicoterapia psicodinâmica individual de longa duração em pacientes com transtorno mental complexo culminou em melhor resultado — incluindo melhora dos sintomas psiquiátricos e da personalidade e funcionamento social — do que psicoterapia de duração mais curta.

“Nesta metanálise, a psicoterapia psicodinâmica de longa duração foi significativamente superior a métodos de duração menor de psicoterapia com relação ao resultado geral, problemas-alvo e funcionamento da personalidade. A psicoterapia psicodinâmica de longa duração gerou efeitos grandes e estáveis no tratamento de pacientes com transtorno de personalidade, transtornos mentais múltiplos e transtorno mental crônico”, concluem os autores.


Uso de psicoterapia em declínio
Em um editorial anexo, Dr. Richard M. Glass, médico, da University of Chicago, Illinois, escreve que a metanálise “fornece evidência sobre a eficácia da psicoterapia dinâmica de longa duração para pacientes com transtornos mentais complexos que freqüentemente não respondem adequadamente às intervenções de curta duração”.

Dr. Glass diz ainda que é “irônico e perturbador” que esta evidência que apóia psicoterapia de longa duração esteja acontecendo em uma época na qual a realização de psicoterapia pelos psiquiatras nos Estados Unidos está declinando significativamente — uma tendência que ele acredita justificar uma avaliação cuidadosa.

Ele sugere que esta tendência parece estar “fortemente relacionada a incentivos financeiros e outras medidas para minimizar os custos”.

JAMA. 2008;300:1551-1565, 1587-1589.

Informação sobre a autora: Marlene Busko é jornalista da equipe do Medscape Psiquiatria. Declaração de conflito de interesses: A autora declara não possuir conflito de interesses.

Copyright 2012 WebMD, Inc. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a republicação, redistribuição, propagação ou disseminação do Conteúdo Medscape ou do Conteúdo Medcenter sem a prévia autorização por escrito de WebMD.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Estimulação Magnética para Depressão

Estimulação Magnética para Depressão


 FDA aprova o uso da Estimulação magnética para o tratamento da depressão.

O órgão regulador americano FDA (Food and Drug Administration) aprovou em outubro de 2008 a indicação da Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) para pacientes com depressão que não respondem a um primeiro medicamento antidepressivo. A técnica começou a ser estudada para o tratamento da depressão em 1996 e desde então um grande número de estudos mostrou a eficácia nessa indicação. A EMT já é aprovada para uso clínico na Europa, Israel, Austrália, Canadá, Brasil e muitos outros países.


Estimulação Magnética para Depressão
Um dos transtornos mentais que tem se beneficiado mais de avanços diagnósticos e terapêuticos, a depressão está incorporando técnicas novas como a estimulação magnética transcraniana, já estudada em grandes centros médicos, especialmente norte-americanos.

A evolução no diagnóstico e no tratamento dos transtornos depressivos foi marcante nos últimos anos. Desde os anos 50 novos medicamentos foram desenvolvidos e trazem um inegável benefício para milhares de pessoas que sofrem do transtorno em todo o mundo. Algumas limitações das medicações, contudo, especialmente o fato de alguns pacientes não tolerarem efeitos colaterais e uma porcentagem de pacientes simplesmente não melhorar, levaram os pesquisadores a aprimorar técnicas antigas, como a eletroconvulsoterapia e a estudar novas técnicas, como a estimulação magnética transcraniana. Depois deste acontecimento, passou a ser possível estimular o cérebro sem necessidade de uma craniotomia e sem a necessidade de cargas elétricas altas, pois o campo magnético é capaz de passar pelo crânio como se este não existisse, sem alteração ou deflecção.

A técnica passou a ser utilizada para estudos neurofisiológicos das vias motoras, incluindo transtornos neurológicos como esclerose múltipla e doença de Parkinson, entre outros (Barker, 1991).

A utilização terapêutica surgiu, como acontece frequentemente na medicina, de forma fortuita. Alguns estudos em pacientes com Parkinson (que sabidamente têm uma maior prevalência de depressão) notaram uma melhora do humor após as estimulações. Surgiram relatos de caso e isso levou alguns estudiosos (principalmente o professor George, em Charlestone, na Carolina do Sul e o professor Pascual-Leone, em Boston, Massachussets) a realizar as primeiras avaliações controladas dos efeitos da estimulação magnética transcraniana em transtornos depressivos (George and Wassermann, 1994; Pascual-Leone, 1994).



Evolução da técnica

Algumas mudanças técnicas foram realizadas. Foi desenvolvida uma bobina dupla (conhecida também como em forma de borboleta ou em forma de 8, em contraste com a bobina circular até então utilizada). Esta tem dois aneis de fios que fazem uma intersecção, onde se consegue focalizar melhor a área a ser estimulada. Outra modificação foi o surgimento de aparelhos que forneciam pulsos de repetição (em contraste com os iniciais que forneciam pulsos únicos). Com isso, séries de estímulos, com diferentes freqüências, podiam ser realizadas e este tipo de tratamento passou a ser chamado estimulação magnética transcraniana de repetição.
 
Segurança e efeitos colaterais

O tratamento é extremamente seguro e geralmente muito bem tolerado pelos pacientes. Os efeitos colaterais mais comuns são cefaléia depois das aplicações e desconforto na região da aplicação durante o tratamento. O maior risco é a possibilidade da indução de uma crise convulsiva. Foram relatados pouquíssimos casos no mundo (um total de 9 publicados até o momento), sendo que nenhum deles deixou qualquer tipo de sequela ou levou a alterações a longo prazo. Apesar de ser um acontecimento extremamente raro, guias com limites de segurança foram publicados, com combinações máximas permitidas para diferentes frequências utilizadas, reduzindo a zero a incidência de convulsões, quando os limites são respeitados.


A Técnica
Diferentes combinações de parâmetros foram testadas e diferentes regiões cerebrais foram estimuladas. Os melhores resultados foram obtidos, até o presente, com estimulação do córtex pré-frontal dorso-lateral, uma parte do córtex cerebral que corresponde às regiões 9 e 46 de Broadmann. Um importante achado foi o de diferentes efeitos, de acordo com o lado do cérebro estimulado e a frequência utilizada.

Melhores efeitos antidepressivos foram relatados com frequências altas (maiores do que 1 Hz; usualmente 5, 10, 15 ou 20 Hz) no lado esquerdo, e com frequências baixas (iguais ou menores do que 1 Hz) no lado direito. Uma possível explicação para isso seria a teoria do desequilíbiro inter-hemisféricos na depressão, com uma hipoativação do lado esquerdo e uma hiperativação proporcional do lado direito.

Frequências altas tendem a ter efeitos excitatórios no tecido cerebral, enquanto que frequências baixas tendem a ter um efeito inibitório.

Durante a sessão, o paciente fica sentado confortavelmente em uma poltrona ou divã, e fica desperto durante todo o tempo. A intensidade da estimulação é definida de forma individual, de acordo com a excitabilidade cerebral de cada paciente. O meio disponível para avaliar esta excitabilidade é conhecido como “limiar motor”. A mensuração deste consiste na ampliação de estímulos simples na região do córtex motor do lado que se deseja estimular.

Com isso, são observadas contrações contralaterais do músculo desejado (o mais utilizado é o abdutor curto do polegar), que podem ser registradas em um eletromiógrafo ou somente observadas a olho nu (Pridmore et al, 1998).

O limiar motor é normalmente considerado a intensidade mínima para que haja contração do músculo em 50% das estimulações. Este valor será utilizado para o cálculo da intensidade da estimulação ao longo do tratamento. Geralmente é utilizado de 100 a 120% do limiar motor.
 
Curso do tratamento
No momento atual, o tratamento consiste em sessões diárias que duram de 20 a 30 minutos cada, por um total de 2 a 4 semanas, excetuando-se fins de semana.

O número total de sessões é decidido de acordo com a resposta clínica. Não há regra geral com relação às medicações concomitantes. Em geral, inibidores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, vão provocar um aumento do limiar motor, com necessidade de estimulação mais intensa. Medicações antidepressivas podem ser utilizadas conforme a necessidade e a indicação, havendo relatos de um sinergismo entre ambos (Rumi et al, 2005).
 
Eficácia
Como acontece com muitos tratamentos, alcançar a eficácia encontrada nos estudos vai depender de uma série de fatores. São exemplos os critérios diagnósticos utilizados, o grau de refratariedade e faixa etária da população estudada, além de diferentes aspectos técnicos (combinações de parâmetros ou tipo de placebo utilizado, por exemplo). A qualidade dos estudos também é um fator a ser levado em consideração.

Foram publicadas algumas revisões e metanálises (Burt et al, 2002; Couturier, 2005; Herrmann e Ebmeier, 2006; Holtzheimer et al, 2001; Martin et al, 2003; McNamara et al, 2001), todas demonstrando um efeito maior do que o tratamento controle (estimulação simulada). De forma geral, pode-se dizer que a estimulação magnética para o tratamento da depressão tem uma taxa de eficácia semelhante às medicações, ou seja, em torno de 60 a 70%.

Situação atual e perspectivas
Diferentes países têm modos diversos de regulamentar a prática médica e a utilização de aparelhagem para o tratamento de doenças.

Países que já utilizam a estimulação magnética regularmente incluem o Canadá, Israel e Austrália, entre outros. No Brasil existe, no momento, apenas um aparelho estimulador magnético com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), realizado no ano de 2007. No ano de 2008, a técnica, com um aparelho específico, foi aprovada para utilização clínica no tratamento da depressão pelo Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos.

 Depressão é uma síndrome complexa com uma fisiopatologia ainda desconhecida. Os tratamentos existentes, incluindo medicações, eletroconvulsoterapia e, agora, a estimulação magnética transcraniana, têm a finalidade principal de aliviar o sofrimento dos pacientes, mas também abrem caminho para uma maior compreensão do cérebro, tanto normal como patológico. O futuro é bastante promissor. O aperfeiçoamento de técnicas de convulsoterapia (e.g., magnetoconvulsoterapia, estimulação elétrica focal) e da própria estimulação magnética está em curso, bem como o estudo de novas técnicas experimentais, como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda. Juntas, estas técnicas estão se somando àquelas disponíveis e abrindo o horizonte de médicos e pacientes para um futuro mais saudável.


 EMTr para Depressão e Pânico
A Estimulação magnética transcraniana repetição (EMTr) vem sendo pesquisada para Depressão e Transtorno do pânico.

O Dr. Mantovani e equipe (Universidade de Columbia-NY) estão desenvolvendo uma pesquisa de Estimulação magnética transcraniana repetição (EMTr) para Depressão e Transtorno do pânico. Oito pacientes já se beneficiaram deste método. Eu estou acompanhando esta pesquisa e ela tem sido feita da seguinte forma: EMTr com estímulo lento, localizada no lado direito, durante 30 minutos e por 4- 8 semanas de duração . Em resultados preliminares, o estudo apresentou resultados positivos e sem efeitos colaterais.

Abaixo segue a publicação dos dados preliminares desta pesquisa:

Repetitive Transcranial Magnetic Stimulation (rTMS) in the treatment of panic disorder (PD) with comorbid major depression.

METHODS: Six patients with PD and comorbid MDD were treated with daily active 1-Hz rTMS to the right DLPFC for 2 weeks in this open-label trial.

RESULTS: Clinical improvements were apparent as early as the first week of treatment. After the second week, 5/6 of patients showed improvements in panic and anxiety, and 4/6 showed a decrease in depression, with sustained improvement at 6 months of follow-up. Right hemisphere resting motor threshold increased significantly after rTMS.

LIMITATIONS: Limitations of this study are the open design and the small sample size.


CONCLUSIONS: Slow rTMS to the right DLPFC resulted in significant clinical improvement and reduction of ipsilateral motor cortex excitability. Replications in larger sample will help to clarify the relevance of this preliminary data and to define the potential role of right DLPFC rTMS in panic with major depression.


Mantovani A, Lisanby SH, Pieraccini F, Ulivelli M, Castrogiovanni P, Rossi S. J Affect Disord. 2007 Sep;102(1-3):277-80

Estimulação Magnética com Bobina "H".

Equipe do IPAN participa de estudo para novo modelo de Estimulação Magnética.

Pesquisadores de Israel criam novo modelo de bobina para EMTr.

Um novo modelo de Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) foi desenvolvido em Israel. A principal mudança é na bobina utilizada na técnica, denominada H. A novidade é muito importante no arsenal terapêutico da Estimulação Magnética Transcraniana de repetição (EMTr). Ela foi criada em Israel e será testada em um estudo multidisciplinar. A finalidade é emitir estímulos mais profundos e abrangentes, aumentando a eficácia do tratamento. A equipe de Israel apresentou bons resultados e quase nenhum efeito colateral foi relatado. A bobina H (HESED) vem do Hebraico que significa Compaixão, para os pesquisadores, a grande aposta é que a Compaixão trata depressão.

A equipe de Estimulação Magnética do IPAN recebeu a grande honra de poder participar deste estudo na Universidade de Columbia e contribuir para a Ciência e avanços do tratamento dos pacientes de depressão.

Abaixo o resumo do artigo com resultados preliminares:

A randomized controlled feasibility and safety study of deep transcranial magnetic stimulation.

OBJECTIVE: The H-coils are a new development in transcranial magnetic stimulation (TMS) research, allowing direct stimulation of deeper neuronal pathways than does standard TMS. This study assessed possible health risks, and some cognitive and emotional effects, of two H-coil versions designed to stimulate deep portions of the prefrontal cortex, using several stimulation frequencies.

METHODS: Healthy volunteers (n=32) were randomly assigned to one of four groups: each of two H-coil designs (H1/H2), standard figure-8 coil, and sham-coil control. Subjects were tested in a pre-post design, during three increasing (single pulses, 10 Hz, and 20 Hz) stimulation sessions, as well as 24-36 h after the last stimulation.

RESULTS: The major finding of the present study is that stimulation with the novel H-coils was well tolerated, with no adverse physical or neurological outcomes. Computerized cognitive tests found no deterioration in cognitive functions, except for a transient short-term effect of the H1-coil on spatial recognition memory on the first day of rTMS (but not in the following treatment days). On the other hand, spatial working memory was transiently improved by the H2-coil treatment. Finally, the questionnaires showed no significant emotional or mood alterations, except for reports on 'detachment' experienced by subjects treated with the H1-coil.

CONCLUSIONS: This study provides additional evidence for the feasibility and safety of the two H-coil designs (H1/H2).

SIGNIFICANCE: The H-coils offer a safe new tool with potential for both research and clinical applications for psychiatric and neurological disorders associated with dysfunctions of deep brain regions.

Levkovitz Y, Roth Y, Harel EV, Braw Y, Sheer A, Zangen A. Clin Neurophysiol. 2007 Dec;118(12):2730-44. Epub 2007 Oct 30.


IPAN - Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação

Rua Vergueiro, 1855 - Cj 42b - Vila Mariana - São Paulo - SP

Tel: (11) 5083-0342

Email: ipan@ipan.med.br



BACKGROUND: Studies suggest that the dorsolateral prefrontal cortex (DLPFC) participates in neural circuitry that is dysregulated in Panic Disorder (PD) and Major Depressive Disorder (MDD). We tested whether low-frequency repetitive Transcranial Magnetic Stimulation (rTMS) could normalize the overactivity of right frontal regions and thereby improve symptoms.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

De Elefante na Ponta à Miss Anorexia

 Ingressei na escola de ballet aos 04 anos de idade sem a menor vocação para ser bailarina. No entanto, após receber o diagnóstico de retração muscular (o músculo não conseguia acompanhar o crescimento ósseo), minha mãe com a melhor intenção do mundo, por orientação médica, pelo fato das minhas primas fazerem ballet...ela acabou me matriculando na escola de ballet...

Todavia, esqueceram de avisar a minha mãe que o ballet não é o mesmo que Fisioterapia. Mero detalhe....

No começo o ballet é muito fofo, principalmente para os pais. Assistir a filha no espetáculo no final do ano se apresentando fantasiada com babadinhos, coque, batom, é orgulho para qualquer pai e mãe, pois logo após surgirá aquele pensamento melancólico: "Ah... Que linda! Minha filha está ficando uma mocinha" . Mal sabem eles que você ouviu milhares de berros e gritos da sua professora de ballet durante 04 meses de ensaio duas vezes na semana para decorar aquela coreografia de seis minutos. Porém, o ballet se torna um pesadelo quando você deixa de ser criança e se torna adolescente. Principalmente se você, como no meu caso for gorda e continuar com problemas de flexibilidade. A professora parecia gostar de ver meu sofrimento. O tanto que me desdobrava para realizar os exercícios impostos com a perfeição exigida. Mas como poderia ser perfeito com tanta gordura me atrapalhando e sem flexibilidade devido a retração muscular? Era humilhante ver minhas colegas fazendo os exercícios da forma que ela queria, menos eu.

Nas apresentações de final de ano lá estava eu, atrás, bem atrás. O que era algo para ser fofinho se tornou ridículo. Se alguém perguntasse: "Onde está a Karen"? A resposta era fácil. Veja aquela coisa saltitante, bem grande, fora do contexto. Lá está ela.

Quando cheguei na sapatilha de ponta nem acreditei. Toda bailarina, seja ela magra ou gorda, sabe que esta sapatilha acaba com os pés. Dói muito. Principalmente para quem é acima do peso. Era o que acontecia comigo. Meus pés criaram calos, bolhas, caíram unhas. Toda aula era mais que um sofrimento. Era um calvário de dor nos pés... Eu me esforçava o quanto podia. Após um ensaio exaustivo, ouvi um professor dizendo em tom de brincadeira que algumas bailarinas estavam muito gordas e pareciam elefantes na ponta. Este comentário para mim foi o fim. O fim do ballet, já que desisti desta apresentação e não retornei.

Os anos se passaram e de repente resolvi que não seria mais gorda. Comecei a fazer dieta por conta própria e atividade física de domingo a domingo. Adotei uma alimentação completamente radical e me tornei vegetariana. Consegui emagrecer 30 kgs. As pessoas que me conheciam ficaram assustudas com minha magreza excessiva. No clube, chegaram a perguntar para minha mãe se eu estava com Aids. Mas na verdade estava com anorexia nervosa.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Borderline: Além dos Limites


Filme canadense da diretora Lyne Charlebois realizado no ano de 2008, estrelado pela fantástica atriz Isabelle Blais, conta a história de Kiki, uma jovem mulher que aos 30 anos de idade tenta encontrar um equilíbrio para sua vida. Com a mãe internada em um hospital psiquiátrico e avó doente, Kiki tem flashbacks de sua infância e adolescência sempre regada à bebida e sexo. E diante do caos que se encontra, precisa ainda terminar seu romance, cujo orientador é também seu amante.


Logo na primeira cena já ficamos apaixonados por Isabelle Blais e sua Kiki. Uma mulher inteligente, sagaz, de humor mórbido tentando se descobrir o tempo todo. Os diálogos são envolventes e inteligentes, e creio que Isabelle Blais merecia uma premiação por sua excelente atuação.

Faz frio durante todo o filme. Kiki caminha com seu cachorro na neve, e é como se sua alma fosse tão fria quanto o próprio clima, e a impressão que temos é a de que Kiki quer a todo custo fugir desse caos, sempre quis, até mesmo na adolescência quando se entregou à bebida e ao sexo desregrado na esperança de esquecer quem era.


Diferente de “Garota Interrompida”, cujo personagem de Winona Rider é diagnosticado com Transtorno de Personalidade Borderline, o filme pouco fala sobre o assunto, ou quase nada. O único momento em que o transtorno é retratado é em um pequeno diálogo entre Winona e sua enfermeira, quando enfim ela consegue entender o que se passa.
Em Borderline: Sem Limites é diferente. Em momento algum vemos a palavra “borderline”, e nem é preciso. O comportamento de Kiki já denuncia uma personalidade que esta sempre nos extremos, na borda dos sentimentos, na fronteira.
Suas angústias e seu drama são tão intensos, que as cenas de sexo e nudez ficam em segundo plano, embora sejam importantes para o enredo do filme, o que queremos mesmo é saber o que se acontece com Kiki, suas reações, seus pensamentos, sua essência.
Filme altamente recomendável para borderlines, parentes e amigos de borderlines e para aqueles que buscam incessantemente o autoconhecimento

Segue o trailler:


- Olá, meu nome é Kiki.
E não sou flor que se cheire.
Desculpe, farei direito.
Olá, meu nome é Kiki.
Sou uma viciada em sexo e dependente afetiva.
- Olá, Kiki.
-Sou viciada em tudo relacionado ao amor.
Eu realmente não sei o que dizer mais.
Hoje percebi que minha única relação estável é com Claude Viau,
meu cachorro.
Não façam mau juízo.
Não “fiz” com meu cachorro.
Minha relação com meu cachorro
é puramente platônica.
Claude Viau é um garoto que amei
dos 12 aos 15 anos.
Meu primeiro amor.
Eu lhe escrevi centenas de cartas, que nunca enviei.
Nos dia em que ele finalmente falou comigo,
eu o dispensei.

-Grande começo.
-É estranho.
Quando alguém me ama,
e…
Eu deveria me sentir bem,
confortável, eu acabo fugindo.
E…
quando me magoa,
Eu agarro.
É como se tivesse que machucar.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...