quarta-feira, 11 de abril de 2012

De Elefante na Ponta à Miss Anorexia

 Ingressei na escola de ballet aos 04 anos de idade sem a menor vocação para ser bailarina. No entanto, após receber o diagnóstico de retração muscular (o músculo não conseguia acompanhar o crescimento ósseo), minha mãe com a melhor intenção do mundo, por orientação médica, pelo fato das minhas primas fazerem ballet...ela acabou me matriculando na escola de ballet...

Todavia, esqueceram de avisar a minha mãe que o ballet não é o mesmo que Fisioterapia. Mero detalhe....

No começo o ballet é muito fofo, principalmente para os pais. Assistir a filha no espetáculo no final do ano se apresentando fantasiada com babadinhos, coque, batom, é orgulho para qualquer pai e mãe, pois logo após surgirá aquele pensamento melancólico: "Ah... Que linda! Minha filha está ficando uma mocinha" . Mal sabem eles que você ouviu milhares de berros e gritos da sua professora de ballet durante 04 meses de ensaio duas vezes na semana para decorar aquela coreografia de seis minutos. Porém, o ballet se torna um pesadelo quando você deixa de ser criança e se torna adolescente. Principalmente se você, como no meu caso for gorda e continuar com problemas de flexibilidade. A professora parecia gostar de ver meu sofrimento. O tanto que me desdobrava para realizar os exercícios impostos com a perfeição exigida. Mas como poderia ser perfeito com tanta gordura me atrapalhando e sem flexibilidade devido a retração muscular? Era humilhante ver minhas colegas fazendo os exercícios da forma que ela queria, menos eu.

Nas apresentações de final de ano lá estava eu, atrás, bem atrás. O que era algo para ser fofinho se tornou ridículo. Se alguém perguntasse: "Onde está a Karen"? A resposta era fácil. Veja aquela coisa saltitante, bem grande, fora do contexto. Lá está ela.

Quando cheguei na sapatilha de ponta nem acreditei. Toda bailarina, seja ela magra ou gorda, sabe que esta sapatilha acaba com os pés. Dói muito. Principalmente para quem é acima do peso. Era o que acontecia comigo. Meus pés criaram calos, bolhas, caíram unhas. Toda aula era mais que um sofrimento. Era um calvário de dor nos pés... Eu me esforçava o quanto podia. Após um ensaio exaustivo, ouvi um professor dizendo em tom de brincadeira que algumas bailarinas estavam muito gordas e pareciam elefantes na ponta. Este comentário para mim foi o fim. O fim do ballet, já que desisti desta apresentação e não retornei.

Os anos se passaram e de repente resolvi que não seria mais gorda. Comecei a fazer dieta por conta própria e atividade física de domingo a domingo. Adotei uma alimentação completamente radical e me tornei vegetariana. Consegui emagrecer 30 kgs. As pessoas que me conheciam ficaram assustudas com minha magreza excessiva. No clube, chegaram a perguntar para minha mãe se eu estava com Aids. Mas na verdade estava com anorexia nervosa.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Borderline: Além dos Limites


Filme canadense da diretora Lyne Charlebois realizado no ano de 2008, estrelado pela fantástica atriz Isabelle Blais, conta a história de Kiki, uma jovem mulher que aos 30 anos de idade tenta encontrar um equilíbrio para sua vida. Com a mãe internada em um hospital psiquiátrico e avó doente, Kiki tem flashbacks de sua infância e adolescência sempre regada à bebida e sexo. E diante do caos que se encontra, precisa ainda terminar seu romance, cujo orientador é também seu amante.


Logo na primeira cena já ficamos apaixonados por Isabelle Blais e sua Kiki. Uma mulher inteligente, sagaz, de humor mórbido tentando se descobrir o tempo todo. Os diálogos são envolventes e inteligentes, e creio que Isabelle Blais merecia uma premiação por sua excelente atuação.

Faz frio durante todo o filme. Kiki caminha com seu cachorro na neve, e é como se sua alma fosse tão fria quanto o próprio clima, e a impressão que temos é a de que Kiki quer a todo custo fugir desse caos, sempre quis, até mesmo na adolescência quando se entregou à bebida e ao sexo desregrado na esperança de esquecer quem era.


Diferente de “Garota Interrompida”, cujo personagem de Winona Rider é diagnosticado com Transtorno de Personalidade Borderline, o filme pouco fala sobre o assunto, ou quase nada. O único momento em que o transtorno é retratado é em um pequeno diálogo entre Winona e sua enfermeira, quando enfim ela consegue entender o que se passa.
Em Borderline: Sem Limites é diferente. Em momento algum vemos a palavra “borderline”, e nem é preciso. O comportamento de Kiki já denuncia uma personalidade que esta sempre nos extremos, na borda dos sentimentos, na fronteira.
Suas angústias e seu drama são tão intensos, que as cenas de sexo e nudez ficam em segundo plano, embora sejam importantes para o enredo do filme, o que queremos mesmo é saber o que se acontece com Kiki, suas reações, seus pensamentos, sua essência.
Filme altamente recomendável para borderlines, parentes e amigos de borderlines e para aqueles que buscam incessantemente o autoconhecimento

Segue o trailler:


- Olá, meu nome é Kiki.
E não sou flor que se cheire.
Desculpe, farei direito.
Olá, meu nome é Kiki.
Sou uma viciada em sexo e dependente afetiva.
- Olá, Kiki.
-Sou viciada em tudo relacionado ao amor.
Eu realmente não sei o que dizer mais.
Hoje percebi que minha única relação estável é com Claude Viau,
meu cachorro.
Não façam mau juízo.
Não “fiz” com meu cachorro.
Minha relação com meu cachorro
é puramente platônica.
Claude Viau é um garoto que amei
dos 12 aos 15 anos.
Meu primeiro amor.
Eu lhe escrevi centenas de cartas, que nunca enviei.
Nos dia em que ele finalmente falou comigo,
eu o dispensei.

-Grande começo.
-É estranho.
Quando alguém me ama,
e…
Eu deveria me sentir bem,
confortável, eu acabo fugindo.
E…
quando me magoa,
Eu agarro.
É como se tivesse que machucar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Meu Mundo Não É Mais Cor De Rosa

A maioria das mães brincam de boneca com suas filhas, fazendo-as seu próprio objeto de diversão.

Comigo não foi diferente. A minha adorava me enfeitar da cabeça aos pés. Mas isso ocorria apenas aos finais de semana, pois meus pais trabalhavam eu ficava em escolinha particular.

Minha mãe sempre me ensinou muitas coisas, porém, o que interessa para este assunto é ela ter me ensinado a gostar da cor rosa. 

Imagino que ela tenha eleito esta cor porque designa feminilidade, meiguice, e convenhamos é uma cor para meninas.... No entanto, os homens ficam lindos usando camisas rosa.

Sinto que ela tentou criar um mundo cor de rosa para mim. Fazendo tudo que fosse possível para suprir sua ausência, erros, todos meus traumas, medos, vazio.

As vezes penso que ela já imaginava que eu passaria por tudo isso, e então, criou este mundo cor de rosa na minha cabeça.

Mas por outro lado, nada disso faz sentido, já que sempre sofri, mesmo idealizando que tudo poderia ser perfeito algum dia.  

Não adianta me vestir com a cor rosa, ter celular rosa, bolsa rosa, pintar as unhas de rosa. Nada disso me trará alegria ou preencherá o vazio interior que estou sentindo.



  MEU MUNDO AGORA É PRETO

domingo, 11 de março de 2012

Rasgando meu Diploma


Admito que a escolha da minha carreira profissional foi de caráter emergencial. Depois de concluir o Ensino Médio, estudei 01 ano no cursinho almejando ingressar na Medicina, porém, não consegui passar em nenhum vestibular, pois tinha anorexia e só pensava em emagrecer, sentia muito sono, cansaço, etc.

Estava frustrada já que minhas amigas estavam há um ano na faculdade (Puplicidade e Propaganda), e eu no cursinho. Então resolvi que no ano seguinte faria algum curso. Comecei a cogitar as possibilidades naquilo que gosto de fazer, ou seja, sempre gostei muito de ler.

Como tinha uma prima cursando Direito e ela sempre foi tudo que eu queria ser (admiro-a demais desde criança), me influenciei na escolha dela e ingressei na faculdade de Direito.
A princípio adorei o curso, os professores, os colegas. Era um mar de rosas.

Até aprender com o Filósofo Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do homem". Sim, o homem é capaz de tudo para satisfazer sua paixão, vontade, ambiação, prazer, etc. O homem pode matar, roubar, estuprar, violentar, molestar, bater, etc.

"Ah, mas estamos amparados pela lei". Engano sei meu caro (a). No meu caso a lei me desamparou. O monstro que me molestou quando criança, não poderá ser processado por mim porque a lei simplesmente PRESCREVEU: meu direito se extinguiu porque na época do crime de moléstia meus pais deveriam ter movido a Ação Penal Privada, mas eles não sabiam de nada, pois só revelei este caso no final do ano passado. 

O legislador provou que é um burro, não sabe elaborar as leis. A todo instante está reformulando-as. No meu caso, não poderei colocar este monstro jamais atrás das grades. Nunca terei a minha vingança e meu ódio é muito grande.

O Direito para mim, não serve pra nada. É uma PORCARIA para não dizer um palavrão aqui no blog. Me sinto como se fosse um pote de maionese com data de validade vencida. "Você já estragou, já passou da validade, não podemos fazer mais nada. O que lhe resta é viver no lixão".

Hoje a lei é diferente. A Ação Penal é Pública, sendo proposta pelo Ministério Público, mas mesmo assim, o Direito não vale nada. A setença de um juiz pode ser comprada por uma boa quantia em dinheiro. 

O filósofo naquela época poderia prever que o homem seria capaz de fazer o que fosse preciso para permanecer no poder ou alcançá-lo. 

Portanto, quero distância desta profissão medíocre, que ao meu ver mais parece brincadeira de criança daquelas: "faz de conta que acredito e você também tá...".    

sábado, 10 de março de 2012

Artigo: “Hipóteses para a gênese da personalidade borderline"

Resumo:
Este artigo aborda a relação da maternagem insuficiente ou inadequada na patogênese da Personalidade Borderline, fundamentando-se em estudos teóricos de autores diversos e em observações clínicas e excluindo, em parte, a hipótese da patogenia hereditária.

A forma como a maternagem é disponibilizada influencia diretamente na formação da personalidade patológica. Os diferentes traumas vivenciados na infância geram um profundo sentimento de rejeição e dor, incorporando-se na personalidade borderline.

A ausência da mãe e a falta de resposta às expectativas infantis geram o sentimento de vazio crônico desse tipo de personalidade. É difícil determinar de forma precisa, o papel da maternagem e das variáveis ambientais na constituição do sujeito e na gênese da Personalidade Borderline.

As privações, o abandono, abusos diversos e negligência determinam desde os primeiros dias de vida, a formação da personalidade do ser.


Artigo:
A trajetória teórica deste artigo tenta estabelecer uma relação entre as situações desestruturantes ou traumáticas, vivenciadas desde a infância com um tipo de personalidade conhecida como borderline, atribuindo a sua origem aos primeiros anos de vida e excluindo parcialmente a possibilidade de herança dos pais e o critério único de abuso sexual na infância.

O termo borderline, na concepção deste artigo, refere-se a um espectro amplo de agrupamentos patológicos ( Meissner, 1988; Kernberg, 1975).

A personalidade borderline é caracterizada pela falta de tolerância à ansiedade; falta de controle dos impulsos; falta de canais sublimatórios desenvolvidos; preponderância do processo primário do id; dissociação, identificação projetiva, negação, onipotência e desvalorização como mecanismos de defesa do ego; relações objetais internalizadas patológicas (Kernberg, 1975); pensamento quase psicótico; auto mutilação; preocupação de aniquilação; abandono/ fusão; exigência/ achar-se especial; tentativas de suicídio manipulativas (Zanarini e cols, 1990).

O ser humano, na fase inicial de sua vida, necessita dos cuidados do outro para assegurar-lhe as condições mínimas de sobrevivência. A mãe, no sentido amplo da palavra, tem papel fundamental e determinante no desenvolvimento do ser.

O bebê humano, em condições satisfatórias de desenvolvimento, transita pela frustração do reconhecimento da mãe como um indivíduo, como o outro, que contradiz a percepção inicial da mãe enquanto extensão do bebê. A partir desse reconhecimento, inicia-se, a formação do ego.

As diversas identificações com a mãe e posteriormente com o meio, as introjeções de traços do outro e do meio forma o ego. O ego resulta da sedimentação dos investimentos dos objetos perdidos, ou seja; do reconhecimento do outro, das frustrações geradas pela inviabilidade de satisfação imediata do processo primário e pela consolidação inicial do processo secundário. (Nasio, 1987).

Como um espelho a refletir e responder às diversas percepções e sensações do bebê, a mãe utiliza seus próprios valores introjetados para dar significado a tais percepções e sensações.

As atitudes do ego serão constituídas pelos traços da primeira relação objetal; mãe/ bebê, contendo a história do desenvolvimento do ser, identificadas com a forma pela qual a mãe proporcionou seus recursos para o desenvolvimento do filho. São estes fatores determinantes de como o ser em desenvolvimento conduzirá o seu self e se relacionará com os demais ( Bollas, 1992).

A constituição do psiquismo se fundamentará e refletirá os afetos, desafetos, vida e morte, amor e ódio, simbioses e rupturas vivenciados pelo ser na relação com a mãe e posteriormente com todo o ambiente.

A principal e mais importante função da maternagem será o holding (Winnicott, 1988), a qual consiste em emprestar o seu próprio ego ( da mãe) como apoio para que o bebê satisfaça suas necessidades, contendo suas angústias e internalizando padrões de comportamento, possibilitando o prosseguimento do desenvolvimento da personalidade do filho.

Na maternagem insuficiente ou inadequada, diversas atitudes da mãe serão significativas para o trauma que determinará o desenvolvimento da Personalidade Borderline.

Dentre os principais comportamentos de uma maternagem insuficiente, pode-se citar privações, negligência, abuso físico, sexual, emocional, maus tratos psicológicos e violência, resultando num estado amplo de descuido e desproteção para com o bebê.

Entende-se por privação, o ato de negar ao bebê condições físicas e emocionais necessárias para o seu desenvolvimento como um todo. O termo privação é amplo e abrange desde a alimentação ao afeto.

A negligência ocorre quando o cuidado, o holding e a função de tela protetora materna falha ou inexiste.
Entende-se por abuso físico, punições ou aplicação de força física desnecessária ao desenvolvimento da criança, deixando, por vezes, marcas no corpo da criança e reduzindo-a condição de submetida e impotente.

O abuso sexual geralmente se dá pelo descuido da mãe ao expor o filho a envolvimento de caráter sexual, o qual pode ocorrer por contato físico ou não, compreendendo exposição, manipulação, penetração ou exploração quando a criança não tem maturidade suficiente para compreender o que, de fato, acontece.

Respostas emocionais e comportamentais que, desnecessariamente, reprimem experiências fundamentais ao desenvolvimento infantil compõem grande parte do significado de abuso emocional. A outra parte do significado se encontra no ambiente familiar hostil, rígido, controlador ou excessivamente protetor.

Os maus tratos psicológicos ocorrem pelo desrespeito às necessidades, percepções e emoções do infante. A discriminação, a rejeição e a depreciação das necessidades da criança, atendendo as necessidades psicológicas da mãe ou de outros adultos também são maus tratos psicológicos.

Por fim, define-se violência a qualquer atitude dos pais, que cause danos físicos, sexuais ou psicológicos à criança. Sua definição é ampla pois envolve desde a omissão de atos à hiperação.

Infere-se que, ao vivenciar todo o trauma causado pela maternagem inadequada, a criança perde o referencial de feed back do meio, no caso da mãe, ocasionando um “buraco” na formação da identidade e da personalidade. Sem o feed back adequado, não há a informação de quem a criança é, do seu valor e dos seus limites.

A incapacidade infantil de resolver um conflito ou um problema vivencial excessivo para ela, passa a compor o seu sentimento de identidade, tornando-a enquanto adulta, incapaz de lidar com conflitos e problemas. A formação egóica recai na fragilidade e no sentimento de vazio, o qual se tornará crônico, compondo, enquanto sintoma, a personalidade borderline.

A ausência dos atributos da maternagem adequada também influencia, no decorrer do tempo, na formação do superego. A ausência da mãe e posteriormente do pai, nos cinco primeiros anos de vida, resultará num superego frágil, onde os limites não serão reconhecidos.

Portanto, o grupo familiar determina a possibilidade de saúde em seus membros. O grau de cuidados insuficientes ou inadequados e a fase do desenvolvimento infantil em que ocorreram podem determinar a gravidade dos prejuízos decorrentes (Bowlby, 1988; Spitz, 1988).

A dor da desvalorização, da rejeição, dos maus tratos e abusos e do sentimento de vazio resulta numa dor profunda que vai dilacerando a alma e estimulando o processo auto-destrutivo; um instinto imediato, oriundo da pulsão de morte, que estatisticamente confirma a incidência de taxas entre 3 a 9,5% de suicídios e 75% de tentativas de suicido na população portadora de Personalidade Borderline (Ballone, 2002).

Outras vezes, a pulsão de morte se expressará pelo seu derivativo de agressividade no meio, forma essa já vivenciada e introjetada anteriormente frente aos maus tratos e abusos físicos. Observa-se que vítimas de violência desenvolvem um amplo repertório de reações destrutivas.

O portador da Personalidade Borderline é chamado a todo instante a reviver exaustivamente a angústia vivenciada pelos traumas da infância. A cada experiência proposta no seu meio ambiente, na sua fase adulta, pode trazer intensas emoções negativas acionando de imediato mecanismos de defesa contra a dor psíquica, tais como a dissociação, a projeção e a negação.

A identidade mal formada se apóia na identidade do outro. Qualquer vislumbre de individualidade resulta no medo intenso de abandono e perda, acionando todo o instinto de manter a relação simbiótica a qualquer custo.

O vazio crônico precisa ser preenchido. Na Personalidade Borderline, o uso de substâncias como álcool ou drogas, a compulsão por alimentar-se ou por sexo são formas de preencher o grande “buraco” interno, em vão.

A compulsão por sexo é a forma fantasiosa de impingir ao outro o abuso sexual vivenciado em algum nível, durante a formação da personalidade, além de estabelecer uma tentativa de vínculo simbiótico simbólico com o outro.

A desvalorização dos sentimentos infantis e a depreciação de suas necessidades resultam na repressão da expressão emocional ou no seu completo empobrecimento enquanto adulto. Não se tem muita diferença entre o sentimento bom ou ruim, entre o bem e o mal e entre a vida e a morte.

O indivíduo torna-se incapaz de expressar gratidão, de interessar-se por si mesmo e pelos outros, de criar objetivos na vida. O outro, assim como a mãe, é sentido como estranho que tem a função de suprir e prover o que ele espera (Amendoeira, 1999). É como se o mundo estivesse em eterno débito para com esse ser.

Conclusão:
Fundamentado em diversos autores, estudos teóricos e observações clínicas, tem-se a evidência da relação entre os traumas proporcionados pela maternagem inadequada e a formação e estabelecimento da Personalidade Borderline, excluindo, em parte, a hipótese patogênica hereditária, assim como o critério único de abuso sexual, defendido por alguns autores.

Estatiscamente, tem-se uma estimativa de 2% da população geral com Personalidade Borderline, significando 10% dos pacientes psiquiátricos em geral e ainda representando 70% do sexo feminino (Carneiro, 2004).

A Personalidade Borderline é vivenciada como uma dor profunda, dilacerante e insuperável que passa a fazer parte da identidade do indivíduo, jogando-o no “beco sem saída” da violência, marginalização e auto-destruição.

Fonte:
http://www.nucleodepesquisas.com.br/artigos/hipoteses-para-a-genese-da-personalidade-borderline-olivan-liger-de-oliveira/

sábado, 21 de janeiro de 2012

Crescendo com o Bullying


A infância é o estágio mais importante e geralmente o mais especial na lembrança para a maioria das pessoas. Todavia, para mim este período é repleto de medo, dores, angústias, vergonhas e muito mas muito trauma.
Aos 06 anos de idade início da pré escola, minha mãe, assim como a maioria das mães, convictas de que estão proporcionando o melhor para seus filhos, me matriculou em um colégio de freiras. Eu, no entanto, me destacava, ou melhor, me diferenciava das demais meninas por apresentar uma estatura fora do padrão. Era muito alta, comparada as minhas coleguinhas todas pequeninas e delicadinhas....
Devido a minha altura e por não aparentar tal "meiguice" do tamanho de uma garotinha, as professoras me tratavam como se eu fosse um garoto. Não havia delicadeza da "tia" ao pronunciar meu nome, o olhar dela não representava bondade e ao invés desta educadora me ensinar que poderia aprender com meus erros, ela fazia questão de baixar minha auto-estima perante meus colegas.

No entanto, depois de crescer sendo desprezada pela "tia" que é marco na vida de toda criança e sofrendo com apelidos desprezíveis na infância, quando cheguei na adolescência estudava no mesmo colégio, com os mesmos colegas que me zombavam...

Todavia, meus colegas amadureceram e pararam de me xingar, mas como era gorda, repleta de acne, ao invés de caçoarem, passaram a me excluir. Na educação física eu sobrava, nos grupos de trabalho eu sobrava, nos trabalhos em sala de aula eu sobrava, no recreio ninguém queria ficar comigo. Parecia que tinha alguma doença contagiosa.

Mas o pior de tudo além desta rejeição que sofri durante anos neste colégio, foi em um dia quando a coordenadora e professora entrou na sala abriu a porta e me disse: "Nossa mas você é muito gorda e brega mesmo".

Até hoje ouço a voz dela dentro de mim e os olhares de espanto dos meus 34 colegas da sala de aula olhando pra mim no fundo da sala. Não teve mais nada de humilhante na vida do que este episódio. Não fui capaz de contar para meus pais. Só contei depois de casada.

Infelizmente o ser humano com um simples olhar ou uma simples palavra é capaz de nos ferir com mais intensidade do que se nos matasse de fato realmente.
(Kalili)




                                                                       

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Preconceito no Brasil tem nome: Bullying

           O que é Bullying...
Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.
Em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente vítimas e agressoras de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida.

Caracterização do assédio escolar
1. comportamento é agressivo e negativo;
2. comportamento é executado repetidamente;
3. comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.


O assédio escolar divide-se em duas categorias:
1.assédio escolar direto;
2.assédio escolar indireto, também conhecido como agressão social

O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:

  • espalhar comentários;
  • recusa em se socializar com a vítima;
  • intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;
  • ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc.
O assédio pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, que parece estar a mais intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.

Deve-se encorajar os alunos a participarem ativamente da supervisão e intervenção dos atos de bullying, pois o enfrentamento da situação pelas testemunhas demonstra aos autores do bullying que eles não terão o apoio do grupo. Uma outra estratégia é a formação de grupos de apoio, que protegem os alvos e auxiliam na solução das situações de bullying. Alunos que buscam ajuda tem 75,9% de reduzirem ou cessarem um caso de bullying.

Os professores devem lidar e resolver efetivamente os casos de bullying, enquanto as escolas devem aperfeiçoar suas técnicas de intervenção e buscar a cooperação de outras instituições, como os centros de saúde, conselhos tutelares e redes de apoio social

Tipos de assédio escolar
Os bullies usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar os outros. Alguns exemplos das técnicas de assédio escolar:
  • insultar a vítima;
  • acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada;
  • ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
  • interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os;
  • espalhar rumores negativos sobre a vítima;
  • depreciar a vítima sem qualquer motivo
  • fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;
  • colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully;
  • fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência;
  • isolamento social da vítima;
  • usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas, comunidades ou perfis sobre a vítima em sites de relacionamento com publicação de fotos etc);
  • chantagem.
  • expressões ameaçadoras;
  • grafitagem depreciativa;
  • usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita");
  • fazer que a vítima passe vergonha na frente de várias pessoas.
Bullying professor-aluno
O assédio escolar pode ser praticado de um professor para um aluno. As técnicas mais comuns são:

  • intimidar o aluno em voz alta rebaixando-o perante a classe e ofendendo sua auto-estima. Uma forma mais cruel e severa é manipular a classe contra um único aluno o expondo a humilhação;
  • assumir um critério mais rigoroso na correção de provas com o aluno e não com os demais. Alguns professores podem perseguir alunos com notas baixas;
  • ameaçar o aluno de reprovação;
  • negar ao aluno o direito de ir ao banheiro ou beber água, expondo-o a tortura psicológica;
  • difamar o aluno no conselho de professores, aos coordenadores e acusá-lo de atos que não cometeu;
  • tortura física, mais comuns em crianças pequenas. Puxões de orelha, tapas e cascudos.

Tais atos violam o Estatuto da Criança e do Adolescente e podem ser denunciados em um Boletim de Ocorrência numa delegacia ou no Ministério Público. A revisão de provas pode ser requerida ao pedagogo ou coordenador e, em caso de recusa, por medida judicial.


Locais de assédio

Escolas

Local de trabalho
Vizinhança

Política

Militar


Alcunhas ou apelidos (dar nomes)

Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como uma orelha grande ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada. Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).



Indicativos de estar sofrendo bullying
Sinais e sintomas possíveis de serem observados em alunos alvos de bullying:
  • enurese noturna (urinar na cama);
  • distúrbios do sono (como insônia);
  • problemas de estômago;
  • dores e marcas de ferimentos;
  • síndrome do intestino irritável;
  • transtornos alimentares;
  • isolamento social/ poucos ou nenhum amigo;
  • tentativas de suicídio;
  • irritabilidade / agressividade;
  • transtornos de ansiedade;
  • depressão maior;
  • relatos de medo regulares;
  • resistência/aversão a ir à escola;
  • demonstrações constantes de tristeza;
  • mau rendimento escolar;
  • atos deliberados de auto-agressão.

Legislação

No Brasil, a gravidade do ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas sócio-educativas. De acordo com o código penal brasileiro, a negligência com um crime pode ser tida como uma coautoria. Na área cível, e os pais dos bullies podem, pois, ser obrigados a pagar indenizações e podem haver processos por danos morais.
Um das referências sobre o assunto, no Brasil, é um artigo escrito pelo ministro Marco Aurélio Mello, intitulado Bullying - aspectos jurídicos.

A legislação jurídica do estado brasileiro de São Paulo define assédio escolar como atitudes de violência física ou psicológica, que ocorrem sem motivação evidente praticadas contra pessoas com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e angústia.

Os atos de assédio escolar configuram atos ilícitos, não porque não estão autorizados pelo nosso ordenamento jurídico, mas por desrespeitarem princípios constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) e o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. A responsabilidade pela prática de atos de assédio escolar pode se enquadrar também no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de assédio escolar que ocorram nesse contexto.

No estado brasileiro do Rio de Janeiro, uma lei estadual sancionada em 23 de setembro de 2010 institui a obrigatoriedade de escolas públicas e particulares notificarem casos de bullying à polícia. Em caso de descumprimento, a multa pode ser de três a 20 salários mínimos (até R$ 10.200) para as instituições de ensino.
Na cidade brasileira de Curitiba todas as escolas têm de registrar os casos de bullying em um livro de ocorrências, detalhando a agressão, o nome dos envolvidos e as providências adotadas.
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